Marataízes, a Pérola Capixaba, foi o primeiro balneário a atrair turistas no Espírito Santo. Isso lá pelo início dos anos 30. E cachoeirenses começaram a pegar a maria-fumaça e vir desfrutar das praias maratimbas. Muitos construíram casas de veraneio na cidade, na época um distrito do Município de Itapemirim. Nas décadas seguintes, Marataízes recebeu mais e mais veranistas, chegando ao ápice como destino turístico entre os anos 70 e 80.
Nessa época, a população flutuante da cidade durante a alta temporada beirava 100 mil pessoas. E a alta temporada não era restrita apenas a janeiro. Dezembro, fevereiro e julho eram meses com a cidade lotada de “gente de fora”. Mas o que aconteceu com Marataízes? A cidade, emancipada em 1996, perdeu o status de destino turístico nos últimos anos e no dia de hoje, 15 de julho, está vazia, sem turistas, quando antigamente a movimentação de turistas em julho era comparado a janeiro.
Na minha opinião, são várias as causas para a “decadência” de Marataízes no turismo. Primeiro, até a década de 90, pacotes e passagens para as praias e cidades do Nordeste, como Porto Seguro, Natal, Recife e Fortaleza eram praticamente inexistentes e muito caros. Marataízes nadava de braçada com poucos competidores. Com o advento dos pacotes de viagem divididos em muitas parcelas no cartão de crédito, os turistas que vinham pra a Pérola Capixaba mudaram de destino nas férias.
Outro fator que acentuou esse processo foi a redução das férias escolares. Com essa nova realidade, Marataízes não soube se adaptar e tirar proveito. Quando digo “Marataízes” refiro-me ao Poder Público e à iniciativa privada. Ou seja, a cidade não se preparou para os novos tempos. A rede hoteleira, que já era pequena, encolheu ainda mais, reduzindo a um punhado de pequenos hotéis, pousadas e campings.
Outra situação que contribuiu para afastar os turistas foi a erosão marinha na Praia Central, a principal de Marataízes. Some a isso, vários anos de programações turísticas equivocadas na cidade. Em vez de eventos atrativos, apostou-se no turismo de fim de semana, com shows de qualidade duvidosa e que só atraíam o turista de bate-e-volta, aquele que traz tudo de casa, até a cerveja.
Hoje, muitas casas de veraneio foram vendidas ou encontram-se abandonadas na cidade. Inúmeras famílias mineiras e até de Cachoeiro de Itapemirim deixaram de frequentar a Pérola Capixaba. E não estou brincando! TODOS os meus amigos da adolescência e juventude nos anos 70 e 80, de MG e Brasília, hoje adultos, poderiam hoje trazer suas famílias para Marataízes nas férias. Só que, pelo que eu saiba, NENHUM vem mais pra cá. Abandonaram Marataízes. Mas a Pérola Capixaba ainda pode voltar a brilhar no turismo? Pode e dou algumas alternativas a seguir.
Conforme já adiantei no título deste artigo, Marataízes precisa se reinventar no turismo. O primeiro passo é capacitação. Dar cursos para aprimorar atendimento, gestão e promoção do turismo, tanto para os trabalhadores do setor quanto para empreendedores. Criar guias turísticos preparados para informar e auxiliar os visitantes.
O segundo passo é incentivar investimentos no setor. Marataízes possui vários locais que poderiam virar centros de atração de turistas. Cito três: a Avenida Vitória entre as praias da Colônia e Areia Preta, a via lateral da Praça Ricardo Gonçalves na Praia Central e o entorno do Porto da Barra, incluindo o Pontal. A Prefeitura pode dar incentivos fiscais, como isenção ou redução do IPTU, para a construção de pousadas, bares, restaurantes, cafés e lojas voltados par o turismo. Ao mesmo tempo transformar estes locais em calçadões com os equipamentos necessários de paisagismo e funcionalidade.
Outra ação, é promover o turismo participativo, que cresce mundo afora. Que tal trazer turistas para conhecer as plantações de abacaxi e até ajudar a colher a fruta? Ou participar de um dia de pesca? Ou participar de oficinas de artesanato em taboa?
Tem também o turismo histórico. Restaurar e preservar o que resta do Trapiche no Porto da Barra. Transformar o Palácio das Águias em um verdadeiro centro cultural. Reformar a antiga garagem da estrada de ferro na Barra e transformá-la em um tão necessário centro de convenções em Marataízes.
Também é necessário preparar a infraestrutura. Sinalizar os acessos às praias e atrações. E, sobretudo “vender” Marataízes fora do Espírito Santo. Temos diferenciais. Nosso mar tem boa temperatura. Nosso povo é receptivo. Nossas praias são lindas. Estamos perto de grandes centros, como Belo Horizonte, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro e Vitória. E tem o principal: não existe astral como aqui em Marataízes (sou suspeito para opinar!). A cidade tem um clima diferente. E não estou falando de meteorologia.
A atual Administração, do prefeito Toninho Bitencourt (Podemos), tem tudo para mudar a cidade para muito melhor no turismo. Tem vontade política e gente capacitada. E muita vontade de acertar! Várias entidades e órgãos como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e a Agência de Desenvolvimento Regional do Espírito Santo (Aderes) têm programas e ferramentas que podem ajudar a alavancar o turismo.
São muitas as alternativas para Marataízes se reinventar. Este artigo não tem o objetivo de apresentar soluções. São apenas sugestões de um cachoeirense praticamente nascido em Marataízes e apaixonado desde sempre pela Pérola Capixaba, que vai voltar a brilhar! Não é futurologia. É certeza!
Ricardo W. Mignone é jornalista formado em 1989 na UFES, com pós-graduação em Mercado Financeiro e Derivativos pela USP/Facamp.
(DA REDAÇÃO \\ Beatriz Fontoura)
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